Para te ajudar a compreender temas de Relações Internacionais, preparamos o Glossário de Relações Internacionais.
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Antes de iniciar a lista, se você tem interesse em compreender os fundamentos das Relações Internacionais, leia: Guia de Estudos das Teorias das Relações Internacionais.
Glossário de Relações Internacionais








1. Anarquia
Em Relações Internacionais, anarquia não significa caos, mas a ausência de uma autoridade central capaz de impor leis e decisões sobre os Estados.
Cada país é soberano e age de acordo com seus próprios interesses, o que torna o sistema internacional um ambiente de autoajuda. É um conceito central para o realismo, pois explica por que os Estados buscam segurança e poder para garantir sua sobrevivência.
2. Ator Internacional
O termo designa qualquer entidade que exerça influência nas relações globais. Além dos Estados, incluem-se organizações internacionais (ONU, OMS), empresas multinacionais, ONGs, movimentos sociais e até indivíduos com projeção internacional.
Cada ator possui diferentes graus de poder e legitimidade, mas todos participam da teia complexa da política mundial.
3. Auto-determinação dos Povos
Princípio fundamental consagrado na Carta das Nações Unidas (1945), segundo o qual cada povo tem o direito de decidir livremente sua forma de governo e desenvolvimento.
Esse conceito inspirou os movimentos de descolonização e ainda hoje é debatido em casos como Palestina, Curdistão e Saara Ocidental, onde comunidades buscam reconhecimento e autonomia política.
4. Balança de Poder
Refere-se à distribuição do poder entre os Estados para evitar o predomínio de um único país.
Historicamente, o equilíbrio entre potências — como o que existiu entre EUA e URSS na Guerra Fria — foi visto como um mecanismo de estabilidade internacional, pois desencoraja agressões e mantém a ordem internacional sob vigilância mútua.
5. Blocos Econômicos
São agrupamentos de países que buscam integração econômica e política.
Exemplos incluem a União Europeia, o Mercosul e os BRICS.
Os blocos podem facilitar o comércio, coordenar políticas regionais e ampliar o poder de negociação de seus membros no cenário internacional, tornando-se instrumentos-chave da cooperação internacional contemporânea.
6. Cúpula
Também conhecida como reunião de cúpula (summit), é o encontro de líderes de Estado ou governo para discutir temas estratégicos e firmar compromissos multilaterais.
Cúpulas como o G7, G20 ou a COP-30 (sobre o clima) simbolizam a diplomacia em ação, buscando consensos sobre economia, segurança, meio ambiente e desenvolvimento.
7. Diplomacia
É a arte e prática de conduzir as relações entre Estados e outros atores internacionais.
Vai além de negociações e protocolos: envolve mediação de conflitos, construção de alianças, representação e defesa de interesses nacionais.
No século XXI, a diplomacia também incorpora dimensões culturais, digitais e públicas, refletindo a complexidade do mundo globalizado.
8. Deterrência
Estratégia voltada para impedir agressões por meio da ameaça de retaliação.
Durante a Guerra Fria, a lógica da dissuasão nuclear entre EUA e URSS baseava-se na ideia de que um ataque levaria à destruição mútua — o chamado equilíbrio do terror.
Hoje, a deterrência também envolve cibersegurança, espaço e inteligência artificial, mostrando sua evolução tecnológica e política.
9. Embargo
Instrumento de política externa e pressão econômica que restringe o comércio com determinado país, grupo ou setor.
Pode ter caráter punitivo (como as sanções dos EUA a Cuba) ou preventivo, visando forçar mudanças de comportamento.
Embora eficaz em certos casos, embargos prolongados podem agravar crises humanitárias e afetar populações civis.
10. Globalização
Processo de integração crescente entre países, economias e sociedades, impulsionado por avanços tecnológicos, comunicação digital e fluxos comerciais.
A globalização aproxima culturas e acelera a difusão de ideias, mas também gera desigualdades, dependências e tensões geopolíticas.
Debates atuais giram em torno de temas como desglobalização, relocalização produtiva e soberania digital.
11. Governança
Refere-se ao conjunto de instituições, normas e processos que coordenam ações entre Estados e atores internacionais em temas que ultrapassam fronteiras — como clima, saúde e segurança.
Organizações como a ONU, o FMI e a OMS exemplificam essa rede de governança, que busca respostas coletivas para desafios comuns, ainda que sem uma autoridade mundial central.
12. Hegemonia
É a predominância de um Estado ou grupo sobre os demais, não apenas pela força militar ou econômica, mas também pela influência cultural, ideológica e institucional.
A hegemonia dos Estados Unidos no pós-1945, por exemplo, consolidou a ordem liberal internacional baseada em livre-comércio, democracia e alianças multilaterais.
Contudo, o atual cenário de multipolaridade desafia essa estrutura e abre espaço para novas potências regionais.
13. Instituições Internacionais
São organizações permanentes criadas por tratados ou acordos entre países, com o objetivo de promover cooperação e estabilidade.
Exemplos incluem a ONU, a OMC, o Banco Mundial e a OTAN.
Essas instituições contribuem para reduzir incertezas e mediar conflitos, funcionando como pilares da governança internacional.
14. Interdependência
Conceito que descreve como os países estão conectados por laços econômicos, tecnológicos e ambientais.
Na era global, nenhuma nação é totalmente autossuficiente: uma crise financeira, uma pandemia ou uma guerra pode ter impacto em escala planetária.
A interdependência pode gerar cooperação — mas também vulnerabilidade.
15. Multipolaridade
Estrutura do sistema internacional na qual o poder está distribuído entre várias potências, e não concentrado em apenas uma ou duas.
O século XXI é cada vez mais multipolar, com o ascenso de China, Índia, Brasil e outras potências regionais, que desafiam o domínio ocidental e moldam uma nova dinâmica de equilíbrio global.
16. Nacionalismo
Ideologia que valoriza a identidade nacional, a soberania e os interesses do Estado.
O nacionalismo pode reforçar a coesão social e o orgulho cívico, mas também levar a isolacionismo, xenofobia e conflitos territoriais.
O ressurgimento de discursos nacionalistas nos últimos anos reflete reações à globalização e ao enfraquecimento de fronteiras culturais.
17. Ordem Internacional
Conjunto de regras, instituições e valores que estruturam as interações entre os países em determinado período histórico.
A atual “ordem liberal”, surgida após 1945, é marcada por comércio livre, alianças multilaterais e direitos humanos.
Hoje, discute-se a possível transição para uma nova ordem, mais plural e contestada, com maior peso do Sul Global.
18. Poder Brando (Soft Power)
Conceito criado por Joseph Nye, refere-se à capacidade de um país influenciar outros por meio da atração cultural, da diplomacia e de valores, em vez da coerção militar.
Exemplos incluem a influência cultural da Coreia do Sul (K-Pop), o prestígio diplomático da Suíça ou o sistema universitário dos EUA.
19. Poder Duro (Hard Power)
Corresponde à capacidade de um Estado impor sua vontade por meios militares, econômicos ou coercitivos.
Guerras, sanções e alianças estratégicas são instrumentos típicos de hard power.
Na prática, as potências mais eficazes combinam poder duro e poder brando, numa estratégia híbrida conhecida como smart power.
20. Regime Internacional
É o conjunto de princípios, normas e regras que regulam um tema específico nas Relações Internacionais.
Exemplos: o Regime de Não Proliferação Nuclear, o Regime Climático (Acordo de Paris) e o Regime do Comércio Mundial (OMC).
Esses regimes permitem coordenação e previsibilidade, mesmo em um sistema internacional anárquico.
21. Realismo
Corrente teórica clássica que entende as Relações Internacionais como uma arena de competição por poder e segurança.
Segundo os realistas, os Estados são os principais atores, movidos por seus interesses nacionais em um sistema anárquico, sem autoridade global.
Pensadores como Hans Morgenthau e Kenneth Waltz destacam que o poder — militar, econômico ou político — é o elemento central da política internacional.
22. Liberalismo
Teoria que contrapõe o pessimismo realista ao afirmar que cooperação e paz são possíveis por meio de instituições internacionais, comércio e interdependência econômica.
Autores como Robert Keohane e Joseph Nye argumentam que os Estados podem construir ordens estáveis e mutuamente benéficas quando compartilham interesses comuns e normas de confiança.
23. Construtivismo
Abordagem que enfatiza o papel das ideias, identidades e percepções na formação da política internacional.
Para os construtivistas, o sistema internacional não é fixo: ele é socialmente construído pelas interações entre os atores.
Isso significa que crenças e discursos podem transformar alianças, ameaças e até o significado de poder.
24. Sanções Internacionais
Medidas econômicas, diplomáticas ou políticas impostas por um ou mais países para punir ou pressionar outro Estado.
As sanções podem envolver congelamento de ativos, restrições comerciais ou proibições de viagem, como as aplicadas contra o Irã e a Rússia.
Embora visem corrigir comportamentos, também podem agravar crises humanitárias e gerar efeitos colaterais sobre a população civil.
25. Segurança Internacional
Campo que trata das políticas e instituições voltadas à proteção dos Estados e das pessoas diante de ameaças internas e externas.
Hoje, o conceito vai além do militar: inclui segurança humana, alimentar, energética, climática e digital.
A ONU, OTAN e outras organizações desempenham papel central na prevenção de conflitos e manutenção da paz.
26. Soberania
Princípio segundo o qual cada Estado exerce autoridade suprema sobre seu território e população, sem interferência externa.
Desde o Tratado de Westfália (1648), a soberania é o pilar da ordem internacional moderna.
Entretanto, desafios como mudanças climáticas, terrorismo e migrações têm ampliado o debate sobre uma soberania compartilhada ou interdependente.
27. Terrorismo
Uso da violência planejada contra civis ou símbolos políticos com fins ideológicos, religiosos ou estratégicos.
O terrorismo internacional — exemplificado por grupos como Al-Qaeda, Estado Islâmico e outras organizações — tornou-se uma das principais preocupações de segurança internacional no século XXI.
O combate ao terrorismo exige cooperação internacional, inteligência e medidas de prevenção social.
28. Think Tank
Instituição de pesquisa e análise dedicada à produção de conhecimento estratégico sobre temas de política, economia e segurança internacional.
Exemplos incluem o Chatham House (Reino Unido) e o Council on Foreign Relations (EUA).
Os think tanks influenciam decisões governamentais e debates públicos, funcionando como pontes entre academia e política.
29. Unilateralismo
Postura adotada por um Estado que age sozinho na arena internacional, priorizando seus próprios interesses, mesmo sem consenso internacional.
É comum em políticas externas de potências que buscam autonomia e rapidez decisória, mas pode gerar isolamento diplomático e instabilidade.
O unilateralismo dos EUA em certas intervenções militares é um exemplo recorrente.
30. Multilateralismo
Modelo de atuação baseado na cooperação entre múltiplos países e na criação de regras e instituições compartilhadas.
É o princípio que sustenta a ONU, a OMC e diversos tratados internacionais.
O multilateralismo busca garantir que decisões internacionais sejam tomadas de forma coletiva e legítima, reforçando o diálogo e a diplomacia sobre a força.
31. Acordo de Paris
Assinado em 2015, é o principal tratado de alcance mundial sobre mudanças climáticas.
Reúne quase todos os países do mundo com o compromisso de limitar o aquecimento global a menos de 2 °C, preferencialmente 1,5 °C.
Cada Estado define suas próprias metas de redução de emissões, conhecidas como NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), tornando o acordo um marco da cooperação ambiental multilateral.
32. Agenda 2030
Plano de alcance mundial adotado pela ONU em 2015, composto por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que buscam erradicar a pobreza, proteger o planeta e promover sociedades mais justas.
A Agenda 2030 representa uma visão integrada de economia, meio ambiente e direitos humanos, orientando políticas públicas e ações empresariais em escala mundial.
33. Assimetria de Poder
Refere-se às diferenças de capacidade militar, econômica, tecnológica e diplomática entre os Estados.
Essas desigualdades criam relações hierárquicas no sistema internacional e moldam as estratégias de países grandes e pequenos.
Exemplo: a disparidade entre potências nucleares e países em desenvolvimento nas negociações sobre segurança e comércio.
34. Balcanização
Processo de fragmentação política e territorial de um Estado em várias unidades menores e, muitas vezes, rivais.
O termo vem dos conflitos nos Bálcãs (década de 1990), mas é aplicado a outros contextos de desintegração nacional, como Sudão e Iugoslávia.
Geralmente ocorre por tensões étnicas, religiosas ou nacionalistas mal resolvidas.
35. Corrida Armamentista
Competição entre países para acumular armas e tecnologias militares com o objetivo de garantir superioridade estratégica.
Durante a Guerra Fria, EUA e URSS protagonizaram a corrida nuclear.
Hoje, essa disputa inclui armas hipersônicas, inteligência artificial e ciberdefesa, revelando novas dimensões da segurança global.
36. Cibersegurança
Campo estratégico voltado à proteção de sistemas, redes e dados contra ataques virtuais.
Ataques cibernéticos podem afetar eleições, infraestrutura crítica e até sistemas de defesa.
Diante disso, a cibersegurança tornou-se um pilar da soberania digital e uma nova fronteira da geopolítica contemporânea.
37. Crise Humanitária
Situação em que populações civis enfrentam sofrimento extremo devido a guerras, desastres naturais, fome ou perseguições políticas.
A resposta internacional costuma envolver ajuda humanitária, refúgio e intervenção de agências da ONU.
Casos como Síria, Gaza e Sudão ilustram como crises humanitárias refletem falhas na governança global.
38. Descolonização
Processo histórico pelo qual colônias conquistaram independência dos impérios europeus, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial.
Foi impulsionado pelo princípio da auto-determinação dos povos e transformou radicalmente o mapa político mundial.
Hoje, o debate sobre descolonização também envolve pensamento crítico, cultura e conhecimento, buscando superar heranças coloniais ainda presentes.
39. Diplomacia Pública
Estratégia usada pelos Estados para influenciar a opinião pública internacional e projetar uma imagem positiva de seu país.
Inclui intercâmbios culturais, bolsas de estudo, cooperação científica e comunicação digital.
Programas como o Erasmus (UE) e o Fulbright (EUA) são exemplos clássicos de diplomacia pública de sucesso.
40. Geoeconomia
Campo que analisa a política internacional por meio do poder econômico.
Investimentos, comércio, infraestrutura e energia são usados como instrumentos estratégicos de influência.
A Iniciativa do Cinturão e Rota da China (Belt and Road) é um exemplo de como a economia se tornou ferramenta de projeção geopolítica.
41. Geopolítica Energética
Campo que estuda como os recursos energéticos influenciam o poder e as relações internacionais.
O controle do petróleo, gás e, mais recentemente, dos minerais críticos (como lítio e cobalto) molda alianças, rivalidades e intervenções.
O debate atual gira em torno da transição energética, com novas disputas por tecnologias limpas e cadeias de suprimento.
42. Guerras Híbridas
Conflitos que combinam métodos convencionais, cibernéticos, informacionais e econômicos.
Ao invés de confrontos diretos, buscam desestabilizar o inimigo por múltiplas frentes, misturando propaganda, hackers, mercenários e desinformação.
A guerra da Ucrânia e os ataques cibernéticos globais são exemplos de como a guerra moderna se tornou difusa e assimétrica.
43. Intervenção Humanitária
Ação internacional — militar ou civil — destinada a proteger populações em risco grave de violação de direitos humanos.
Pode ocorrer sob mandato da ONU ou de coalizões regionais, como nas operações no Kosovo (1999) e Líbia (2011).
Embora motivada por razões éticas, é um tema polêmico, pois desafia o princípio da soberania nacional.
44. Multinacionais (Empresas Transnacionais)
Empresas que operam em diversos países, influenciando economias e decisões políticas.
Elas exercem poder global, empregam milhões de pessoas e controlam cadeias produtivas transnacionais.
Gigantes como Apple, Shell, Google e Nestlé ilustram como o setor privado tornou-se ator estratégico das RI, muitas vezes com poder superior ao de Estados médios.
45. Paradigma Westfaliano
Modelo clássico da ordem internacional baseado na soberania dos Estados e na não intervenção em assuntos internos.
Originado com o Tratado de Westfália (1648), consolidou o Estado-nação como unidade central da política mundial.
Apesar de ainda vigente, o paradigma é desafiado por organizações supranacionais, atores não estatais e problemas globais.
46. Paz Positiva
Conceito desenvolvido por Johan Galtung, que define paz não apenas como ausência de guerra (paz negativa), mas como presença de justiça, equidade e cooperação social.
Envolve eliminar causas estruturais de violência — como desigualdade, discriminação e pobreza — promovendo estabilidade sustentável.
47. Política Externa
Conjunto de estratégias e ações adotadas por um Estado nas suas relações com o mundo.
Ela reflete prioridades nacionais e pode incluir diplomacia, comércio, defesa, cultura e cooperação internacional.
A política externa do Brasil, por exemplo, combina autonomia, multilateralismo e busca por protagonismo regional e global.
48. Populismo Internacional
Fenômeno político em que líderes utilizam discursos nacionalistas e antiglobalistas para mobilizar apoio interno e desafiar instituições multilaterais.
O populismo internacional redefine alianças e retóricas, priorizando soberania nacional e proteção econômica, frequentemente em oposição à ordem liberal.
49. Segurança Climática
Dimensão que relaciona mudanças ambientais com estabilidade política e social.
Eventos climáticos extremos podem causar migrações em massa, escassez de recursos e conflitos.
Por isso, países e organizações internacionais tratam o clima como tema de segurança global, integrando-o à agenda estratégica e militar.
50. Sul Global
Expressão que agrupa países da Ásia, África, América Latina e Oceania historicamente marcados por desigualdade econômica e dependência.
O termo substitui “Terceiro Mundo” e enfatiza uma identidade política comum, baseada na busca por autonomia, desenvolvimento e voz no sistema internacional.
Coalizões como BRICS e G77 expressam esse esforço coletivo por reforma da ordem global.
Glossário Completo da Revista Relações Exteriores
Para aprender mais sobre Relações Internacionais, confira o glossário completo com definições aprimoradas sobre importantes conceitos. Entenda os fundamentos das Relações Internacionais.


